MEU PAI ERA RICO. TÃO RICO QUE SÓ TINHA FILHOS E DIGNIDADE!

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Progresso de leitura

Meu pai era descendente de índia com caboclo.

Homem forte e trabalhador, honesto a toda prova – tanto que deixava de ganhar mais porque não aumentava o preço do produto que tinha comprado enquanto não viesse um produto novo, mesmo que tivesse havido aumento.

Era empreendedor, haja vista que, sem recursos, com seu trabalho, auxiliou uma irmã a construir uma casa. Ele era um trabalhador braçal da Usina de Rafard (cidade do interior de São Paulo), executava serviços de marreteiro dos ferros nos dormentes das linhas de trem.

Nem TV, nem instrução

Amava sua Maria e, como todos os casais, também tinha pequenas desavenças. A mulher, com onze filhos, sempre tinha que atender as crianças até altas horas da noite. E ele dormia cedo e levantava cedo.

Sou o oitavo filho de onze – graças a Deus que naquela época não tinha muitos meios de se evitar filhos, pois são descobertas mais recentes, senão eu não estaria aqui.

Quando digo isso, alguns amigos mais novos me dizem: “Ê, Arnaldo! Será que na casa de seu pai não tinha televisão?”. Nem TV, nem instrução como hoje. E creio que agora se faça tanto sexo como antigamente – ou até mais –, com a diferença que todos presentemente evitam filhos e naquela época não tinham esse conhecimento.

Por isso repito: meu pai não era rico materialmente, não tinha conhecimento escolar, senão do grau primário. Mas era muito rico o seu José Rodrigues de Camargo. Tão rico que tinha onze filhos e nos ensinou a dignidade e honradez. E filhos amados, adultos saudáveis, com rigidez e aplicando correção.

Um soldado da pátria

Serviu o exército brasileiro na Segunda Guerra Mundial, na região centro-oeste do Brasil. Não chegou a ir à Europa, mas deixou esposa e filhos pequenos para servir o país. Sua família nada recebeu naqueles tempos difíceis, a não ser a convicção de que foi um soldado da pátria brasileira.

Muitos clamam por educação escolar, período maior de escola para as crianças, esquecidos de que a escola apenas informa, e é a família e a vida que formam o caráter das pessoas.

Eu e meus irmãos trabalhamos desde crianças e estudamos em cursos noturnos, com exceção dos mais novos, e eu não maldigo o destino, apenas agradeço ao meu pai, que era disciplinador e exigente conosco.

Construtor de vidas

Muitos de nós só reconhecemos o potencial dos nossos pais depois de sua passagem para a vida espiritual. Eu tive no meu pai, apesar de um homem sem instrução formal, um engenheiro (desenvolvia máquinas de furar, de serrar) e um construtor (de vidas e amizades).

Sabemos que os pais somente podem dar disciplina, bons conselhos e indicar caminhos honrados, sendo que o desenvolvimento do caráter é da própria elaboração dos filhos.

E meu pai deu o exemplo de vida reta, moral e fidelidade familiar.

 

ARNALDO DIVO RODRIGUES DE CAMARGO é editor da Editora EME