ASCLÉPIOS — REENCARNAR APENAS POR MISSÃO

Blog da EME - 2026-09-23T082204.350

Progresso de leitura

Em Roteiro¹, publicado em 1952, Emmanuel afirma que havia cerca de 2 bilhões de almas encarnadas na Terra e aproximadamente 20 bilhões de espíritos no Além — uma proporção de dez espíritos desencarnados para cada encarnado. Hoje, com uma população mundial superior a 8 bilhões de pessoas, quantos espíritos estarão aguardando uma nova oportunidade de renascer, considerando que, nas últimas décadas, os casais vêm reduzindo cada vez mais o número de filhos?

Por certo, os que mais precisam são aqueles que mais sofrem. É o doente que procura o médico ou o hospital, e a Terra é um planeta que serve como escola, mas, muito mais ainda, como oficina de tratamento da alma.

E Setembro Amarelo é um mês para refletirmos sobre o valor da vida. Falar sobre o que dói é um ato de coragem; escutar com carinho é um ato de amor. Nenhuma dor precisa ser enfrentada no silêncio ou isoladamente.

Quem sofre precisa abrir seu coração. Sejamos fraternos e ofereçamos apoio, compaixão e esperança, porque a vida sempre importa muito. Isso tudo para os encarnados.

E, para os espíritos, o Centro Espírita funciona como uma espécie de SUS espiritual, acolhendo, orientando e confortando as almas que entraram pela porta falsa ao deixarem voluntariamente a crosta terrestre.

Os casais também têm uma responsabilidade quando se unem, porque podem acolher espiritualmente almas que necessitam retornar. O sexo não é apenas prazer, mas também cadinho de acolhimento de amigos e até de antigos inimigos que desejam se reconciliar no planeta por meio dos laços familiares.

Interessante que, na obra Obreiros da vida eterna², encontramos a caminhada de uma equipe espiritual dirigida pelo médico Jerônimo para acompanhar o desenlace de cinco pessoas que estavam vinculadas à cidade espiritual Nosso Lar. O enredo foi registrado no ano de 1946, embora os acontecimentos possam ter ocorrido muito antes.

Nessa jornada, o instrutor é acompanhado por André Luiz, aprendiz da medicina espiritual e narrador dos fatos; pelo padre Hipólito; e pela enfermeira Luciana, que possuía mediunidade e capacidade de rever o passado dos espíritos, realizar a leitura mental e descrever o que percebia.

Essa obra é por demais rica em informações espirituais. No prefácio, Emmanuel resume uma das grandes mensagens do livro: “Ninguém morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte.”

No capítulo “Santuário da Bênção”, encontramos importantes informações sobre a materialização de espíritos que já perderam a forma humana. E, em “O sublime visitante”, é descrita a presença de Asclépios, espírito de elevada condição, que se materializa naquele plano para transmitir sua mensagem.

André Luiz fica tão impressionado e elevado com suas palavras que quase não encontra recursos para descrever o que presenciou. Depois de concluída a reunião espiritual, tem a oportunidade de conversar com Cornélio e recebe uma informação que nos convida a profundas reflexões: Asclépios habita esferas muito elevadas e somente reencarnaria na Terra em missão, em intervalos de cinco a oito séculos.

Enquanto muitos espíritos talvez aguardem ansiosamente uma oportunidade para retornar à escola terrestre, outros, depois de longa caminhada evolutiva, somente voltam quando chamados a uma missão.

Tenhamos esperança de que também poderemos chegar um dia a essa condição, passando antes pela regeneração de nossas almas, que deve começar agora, pela nossa transformação interior.

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é diretor da Editora EME

1, 2 – Emmanuel/Chico Xavier (Feb Editora