Na fábula da formiga e da cigarra, a formiga que trabalha e acumula alimentos representa os homens que são previdentes, e a cigarra, que apenas cantava, perece de fome e frio se assemelha àqueles que se conduzem de forma irresponsável perante a vida. Essa fábula, entre outras do gênero, é atribuída a Esopo (560 a.C.), um escravo contador de histórias que viveu na Grécia Antiga. São estórias com fundo moral que ensinam lições de vida.
Em seu aspecto moral, a fábula da cigarra e a formiga é condizente com a moral cristã, conforme o ensinamento de Jesus: “Entre pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela” (Mateus, 7:13-14).
Embora exista a concordância entre todas as correntes religiosas cristãs quanto à interpretação do aspecto moral dessa lição, apenas o espiritismo consegue explicar racionalmente a diversidade do comportamento humano, conforme citado nessa fábula de Esopo, que utilizou como referência a cigarra e a formiga.
Invernos e reencarnações
Deus nos criou simples e ignorantes, nos concedendo a eternidade para evoluirmos tanto no aspecto moral como intelectual. Por ser um Pai Justo e bom, não existem privilégios. Todos têm igual oportunidade de transformar-se moral e intelectualmente no mecanismo reencarnatório.
A cigarra dessa fábula, que sofreu os rigores do inverno, representa aquelas almas que ainda se encontram moralmente atrasadas.
Já as formigas, trabalhadoras incansáveis, equivalem aos espíritos mais evoluídos, que já aprenderam, no curso das experiências reencarnatórias, a melhor forma de se comportarem. Preferem a porta estreita e, seguindo a orientação de Jesus, libertam-se da ilusão que conduz ao caminho da perdição.
Inteligência e sentimentos
Indo além do ensinamento moral dessa parábola conforme proposto por Esopo, entendemos que o verdadeiro cristão não permite que o seu irmão pereça açoitado pelos rigores do inverno, conforme se comportou a formiga em relação à cigarra, empreendendo nos limites de suas possibilidades, todos os meios possíveis de socorrer os necessitados que batem à sua porta.
Em nossa caminhada evolutiva, necessitamos desenvolver a nossa inteligência e os nossos sentimentos, superando as ilusões da matéria e seguindo caminho delineado por Jesus.
ÁLVARO VARGAS, no livro Entendendo a Justiça Divina (adaptado)